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quarta-feira, 4 de abril de 2018

COLUNA OPINIÃO DE MULHER COM A ENFERMEIRA E PROFESSORA UNIVERSITÁRIA NAYARA SOUZA



A “VIA CRÚCIS” DO PARTO

Na manhã dessa quarta-feira (4), pacientes que são atendidas no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), fizeram uma denúncia de superlotação no serviço. Grávidas estariam dormindo no chão da triagem do hospital. Esse setor é destinado para recepcionar as mulheres e classificar de acordo com suas necessidades de atendimento. O fato é que, a unidade encontra-se em superlotação, sem estrutura para atender a demanda e estaria improvisando esse tipo de internamento, já que as pacientes estão em início de trabalho de parto.

Em entrevista, o diretor do hospital Olímpio de Moraes Filho, relata que essa realidade insiste em perdurar e que isso é um reflexo do problema da rede pública de saúde na área obstétrica. “É um drama crônico” declarou. O mesmo buscou suporte junto a central de regulação responsável por regular os partos em Pernambuco, mas outras unidades também estão sem vagas. Além de dificuldade de infraestrutura, faltam recursos humanos. O quantitativo que compõe o quadro para assistência obstétrica está defasado na maioria das unidades que prestam esse serviço.

Um problema que cresce descontroladamente. Como um ciclo vicioso, os municípios não favorecem esse tipo de atendimento, as gestantes são encaminhadas para os centros de referência, onde esses superlotam e não conseguem prestar o atendimento que deveria ser exclusivo para o Alto Risco. Em 2017, por exemplo, os municípios de Paulista, Igarassu, Itamaracá, Itapissuma, Araçoiaba e Moreno, não realizaram nenhum parto em hospitais da rede municipal.

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Federal de Medicina aponta que em cinco anos, Pernambuco perdeu 136 leitos de obstetrícia. Vivenciamos um verdadeiro caos na atenção obstétrica. Mulheres continuam peregrinando para parir, e por mais que existam esforços das equipes que prestam esse tipo de atendimento, o cenário o torna inviável. A Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal, trás as principais condutas de manejo clínico, com prioridade na atenção humanizada e aponta que a condução do parto deverá trazer a mulher dignidade que o momento pede. Mas, como desempenhar com qualidade uma assistência em ambientes sem estrutura física, profissionais e materiais? As Pernambucanas passam por uma verdadeira “via crúcis” para conseguir parir!

Essa é minha opinião de mulher! Participe conosco enviando suas dúvidas, questionamentos e sugestões para dra.nayarasousa@hotmail.com.