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ARTESÃO AZIVAN GALVÃO

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FOCUS CURSOS

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sábado, 25 de julho de 2020

COLUNA CLUBE DO FILME COM MARY QUEIROZ


Seja indiscreto (a) e se renda ao prazer de observar tudo que tem neste filme quando o assistir.

 

Foi pensando em não cometer o terrível crime de deixar este filme passar despercebido, que resolvi falar dele, especialmente neste dia. Janela Indiscreta de 1954, dirigido pelo Mestre do Suspense, Alfred Hitchcock, nos proporciona uma experiência única, ao nos permitir adentrar de forma indiscreta no cotidiano de seus personagens. Indicado ao Oscar de 1955, nas Categorias de Melhor Roteiro Adaptado, Direção e Fotografia, não ganhou nenhuma estatueta, mas se consagrou por ter nos contado uma das melhores histórias assistidas até hoje.

Roteiro de John Michael Hayes, baseado no conto It Had  To Be Murder de Cornell Woolrich, escrito em 1942, narra que em Greenwich Village, Nova York, L.B. Jeffries, um fotógrafo profissional, está confinado em seu apartamento por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com um binóculo, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um assassinato foi cometido em um dos apartamentos.

Algo que me conquistou de primeiro, foi o passeio que a câmera faz pra mostrar detalhadamente onde toda a história se passaria, ou seja, em um único cenário, onde a vizinhança têm hábitos caseiros comuns, cujo todos eles combinam com a simplicidade de seus apartamentos. O tom rústico é muito bem utilizado, justamente por ser um rústico personalizado, que não passa a ideia de sujeira ou sofisticação, mas de  aconchego e simplicidade. Algo certamente pensando pra deixar o espectador com mais vontade de olhar a vida alheia também.

Ao nos apresentar o protagonista, sem utilizar qualquer palavra, já sabemos como é sua personalidade e sua profissão. Isso porque o trabalho de câmera é tão fantástico que em um único passeio pelo ambiente onde Jeff se encontra imobilizado e cheio de tédio, fala mais que mil palavras. É assim que somos levados a olhar a vida dos outros personagens, com mesmo interesse demonstrado por Jeff. A câmera fluente é que dar vida a todas as coisas e movimentos que os olhos de Jeff ver. De imediato sentimos que o tédio sentido por ele vai passando na medida em que ele fica cada vez mais interessado no que os outros estão fazendo em suas casas. Por este conjunto de ações, conhecemos a rotina da bailarina, a do casal que dorme na varanda por causa do calor, a do músico que tem bloqueios pra compor suas canções, a da solteirona que tanto sonha em compartilhar sua vida com outra pessoa e também a vida do casal que se mantém distante um do outro, demonstrando que a relação está desgastada e chegando ao fim.

Alfred Hitchcock aproveita o casal com problemas conjugais pra criar toda a situação do suspense. O marido de uma hora pra outra começa a ter atitudes diferentes das observada por Jeff e pra completar este quadro, de repente sua esposa desaparece do apartamento. Jeff com os sentidos aguçados, usa também a lógica da sua profissão e começa a imaginar que ali aconteceu um assassinato. Vale lembrar que a maneira com que o suspense foi construído aqui, é totalmente espetacular, já que aparentemente  não tem mortes ou sinal de sangue. Dando mais trabalho ainda pra quem está olhando passe a buscar maneiras de olhar mais profundamente os detalhes ocultos, fazendo Jeff agora recorrer ao seu material de trabalho, um binóculo e uma câmera. Cada vez mais convicto do assassinato, ele defende a ideia que olhar a vida alheia é algo normal diante daquelas circunstâncias. Ao revelar suas suspeitas pra sua enfermeira Stella (Thelma Ritter), a mesma o conduz a refletir até que ponto, olhar a vida alheia é correto, mas ela passa a acreditar nos fatos narrados por Jeff, deixando seu desinteresse pela vida alheia sumir, pra espiar também, agora com um interesse gigantesco. Lisa (Grace Kelly), namorada de Jeff também se envolve na busca pela certeza do assassinato, algo muito bem trabalhado aqui, já que a personagem foi criada pra fazer parte de algo maior e não só pra servir de par romântico pra Jeff.

Neste filme Alfred Hitchcock consegue unir situações que se parecem com o momento que o protagonista está vivendo, como por exemplo uma cena onde a solteirona prepara todo ambiente pra tomar um vinho, imaginando como o tomaria se estivesse acompanhada, ao levantar a taça pra brindar, é o Jeff que mesmo distante levanta sua taça e faz o brinde acontecer. Isso mostra claramente  que o protagonista, não é insensível e compreende o que ela poderia estar sentindo. Assim como faz ao apreciar a linda música tocada pelo pianista, detalhando os problemas enfrentados pelo músico pra compor com sua própria relação com Lisa, uma personagem muito bem aproveitada na trama. Apresentada de início como fútil, mas com outras camadas que a cada momento eram mostradas nas cenas onde aparecia. Gentil, linda, inteligente e determinada nos cativa por ser uma mulher que sabe muito bem o que quer e onde quer chegar. Sem dúvida, uma das melhores performance de Grace Kelly.

Janela Indiscreta é um filme que a gente não cansa de assistir, isso porque nele não há diálogos desnecessários, personagens clichês e resolução do suposto assassinato de forma clara. Nem tão pouco nos preenche com a certeza que observar a vida alheia é algo que não traz consequências.

PROGRAMA CLUBE DO FILME

Neste sábado, 13h, na Rádio Cultura do Nordeste, tem o seu programa de cinema CLUBE DO FILME, comandado por Edson Santos e Mary Queiroz.

No quadro GRANDES DIRETORES, vamos falar sobre o MESTRE DO SUSPENSE: ALFRED HITCHCOCK. Como iniciou sua carreira, seus primeiros filmes e seus grandes sucessos? Nos estúdios da Cultura, teremos a presença de Felipe Queiroz e Paula Lucatelli.

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