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sábado, 11 de setembro de 2021

COLUNA CLUBE DO FILME COM MARY QUEIROZ

 


Free Guy: Assumindo o Controle

 


Adiado diversas vezes devido a pandemia da Covid 19, o novo filme de Shawn Levy, mesmo diretor da série de filmes Uma Noite no Museu, iniciada em 2006, de Gigantes de Aço (2011), Os Estagiários (2013) e A Pantera Cor-De-Rosa (2006), chegou aos cinemas recentemente e veio com tudo para nos conduzir a um verdadeiro universo onde realidade abre espaço para o mundo virtual. Desafiador, conquistador, enfim faltam palavras para descrever uma produção que conseguiu nos conectar com toda a trama, personagens, dramas existenciais e desfecho. É aquele filme que causa uma verdadeira revolução dentro da gente e também feito para ser assistido inúmeras vezes em consequência da quantidade de referências a filmes e games mostradas na tela.

No filme, Guy (Ryan Reynolds) era somente um caixa de banco, cansado da rotina profissional de uma cidade dominada pelo crime e por pessoas do mal. Um dia, ele conhece Molotov (Jodie Comer) e resolve agir e se rebelar contra essa rotina. Descobrindo  fazer parte de um jogo chamado Free City e ciente que trata-se de um personagem não jogável do video game, (o famoso NPC, sigla para non-player character), decide mudar as regras que tanto o incomodavam e, de uma hora para outra, seu maior objetivo passa a ser desarmar seus rivais, deixando de ser somente aquele cara normal para tornar-se um grande herói em Free City sem disparar uma arma numa cidade rodeada de crimes.

Roteiro de Matt Lieberman e Zak Penn, entrega uma história original, onde juntos elaboraram uma trama capaz de nos transportar para dentro do jogo, nos fazendo sentir toda conexão com aquele mundo virtual e que indiretamente nos faz jogar também. Seguindo cada passo de Guy, somos levados a torcer cena por cena, que ele suba de nível ao passo que desarma a cidade.  As explicações dadas pelos personagens no mundo real são fundamentais na narrativa e com leveza vão mostrando como as coisas em Free City funcionam, são extremamente divertidas e dão oportunidade para que as referências ao universo dos games sejam bastante desenvolvidas, enquanto ligam os eventos do jogo com a vida dos personagens no mundo real, possibilitando o espectador sentir toda  carga de sentimentos que é exposta em diferentes situações que todos vivenciam, dentro e fora de Free City.

Falar de Free Guy: Assumindo o Controle é dizer que foi um trabalho em equipe e que todos os envolvidos completam o conjunto desta grandiosa obra. Fotografia surpreendente e sensível consegue passar toda opressão que há no mundo virtual onde assaltos a bancos acontecem constantemente graças ao uso de cores apagadas, mas com cores fortes e vibrantes, ressalta toda beleza e ação do mundo virtual sem crimes. Somado a isto tivemos uma bela edição de cenas que uniu os efeitos especiais em perfeita harmonia com a trilha sonora e para completar o conjunto da obra, a direção de Shawn Levy exalta o equilíbrio destes dois mundos, fazendo todo o contexto ser chamativo e acolhedor para diferentes espectadores.

 

O carisma de Ryan Reynolds com o elenco de apoio é outro fator decisivo para que Free Guy: Assumindo o Controle se torne um dos melhores filmes do ano, começando por Jodie Comer, com quem desenvolve uma química surpreendente e com Lil Rel Howery, seu amigo para todas as horas. Suas interações são carregadas de carinho, afeto e aquela pitada de humor bem descontraído. Já Jodie Comer, esbanja talento e beleza fora e dentro do jogo. Sua dinâmica com Joe Keery onde juntos se unem para desmascarar o vilão interpretado por Taika Waititi, também fora e dentro do jogo, funciona brilhantemente.

 

No final, compreendemos que além de boas referências, diversão, grandiosas batalhas e uma viagem fantástica ao universo virtual,  incontestavelmente Free Guy: Assumindo o Controle acerta até na inclusão de comentários sociais relevantes sobre sexismo e outras formas de preconceito presente nos games, como também as lideranças tóxicas nas grandes corporações. É leve o suficiente para ser um entretenimento de ponta e profundo o bastante para funcionar como um alerta sobre discussões necessárias. E é isso, na verdade, que o revela como um grande filme e um dos melhores lançados em 2021.