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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

COLUNA OPINIÃO DE MULHER COM A ENFERMEIRA E PROFESSORA UNIVERSITÁRIA NAYARA SOUZA



SER CIENTISTA NO BRASIL: O PREÇO QUE QUASE NINGUÉM VÊ!

No último dia 18, o jornal Diário de Pernambuco trouxe para discussão a difícil e pouco conhecida realidade na formação de mestres e doutores no Brasil. Prazos curtos, pressão por resultados, humilhações, entre outros aspectos, fazem parte do contexto de uma parcela significativa de acadêmicos integrados à programas de pós graduação (via concurso) das Universidades Federais do nosso país.

Em agosto de 2017, o suicídio de um doutorando nos laboratórios da Universidade de São Paulo (USP), descortinou um tema a qual, há muito tempo tem sido tratado a “panos quentes” dentro das academias. Quase que um círculo vicioso, passado de orientador para orientando, práticas abusivas continuam contribuindo para o desenvolvimento de depressão, síndrome de pânico e suicídio entre acadêmicos.

O Brasil possui altos índices de depressão e suicídio, depressão essa que é tributada muitas vezes como o “mal do século”. O que observamos dentro do contexto de formação de pesquisadores, é que o sistema extremamente burocrático em sua constituição, assim como a alta competitividade diante de poucas oportunidades de ingresso, tem contribuído para o agravamento do problema.

Situações como tempo curto exigido para qualificação e defesa, pressão extrema para publicação em revistas com Qualis elevado, dificuldades de relacionamento com orientadores, discriminação e assédio... compõe um quadro real no dia a dia dos alunos nessa modalidade. O processo de construção do conhecimento não necessitaria ser tão duro, ao ponto de relatos de discentes sofrerem surtos psicóticos, isolamento, síndromes, e até o referido suicídio. O enfado aceitável deveria ser o da rotina de pesquisas e do aprimoramento nessa busca em especializar-se.

O gênero feminino é o mais penalizado nessa conjuntura. Se a pesquisadora for mãe, a discriminação tende a acontecer desde o processo seletivo, onde em alguns casos, a mesma é desestimulada a não seguir. E quando consegue ingressar, sofre diversas pressões psicológicas ao rotineiramente ser cobrada a elencar prioridades, sem ter o mínimo apoio/suporte que a auxilie a desenvolver e concluir sua formação.

Essa foi minha opinião de mulher de hoje. Participe conosco enviando suas dúvidas, questionamentos e sugestões para dra.nayarasousa@hotmail.com.