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segunda-feira, 12 de abril de 2021

COLUNA DO DELEGADO LESSA

 


Ouçam as crianças!

Perplexidade, indignação, revolta. Esses são alguns sentimentos trazidos pelas notícias referentes ao caso do garoto Henry Borel, no Rio de Janeiro, morto no dia 08 de março. Um crime covarde contra uma criança de apenas 04 anos de idade. De acordo com um laudo do Instituto Médico Legal, o menino tinha uma série de lesões internas e laceração no fígado, resultados de ações violentas. Ele apresentava hematomas no abdômen, contusão em um dos rins e nos pulmões, hemorragia na região frontal, lateral e traseira do crânio e hemorragia retroperitoneal.

Segundo uma matéria publicada no jornal O Globo, o garoto relatou que sofria agressões cinco dias antes do seu assassinato. “O tio me machuca”, disse o garoto em uma chamada de vídeo com o pai, Leniel Borel, a avó materna, Rosângela Medeiros, e a babá, Thayná de Oliveira. O pai do menino disse que, após a ligação, entrou em contato com a ex-sogra, mas ela não demonstrou preocupação. Nas palavras do delegado Henrique Damasceno, responsável pelo caso, o vereador Dr. Jairinho, padrasto do garoto, impunha uma “rotina de violência” contra o enteado. Jairinho e a mãe de Henry, a professora Monique Medeiros, estão presos desde o dia 08 de abril.

A barbárie e a hediondez do crime remete a outros casos, que ganharam repercussão nacional. A morte da garota Isabella Nardoni, de 05 anos de idade, em 2008, após ser jogada pelo pai, Alexandre Nardoni, da janela do 6º andar do edifício onde morava com a madrasta, Ana Carolina Jatobá. Outro caso foi o do garoto Bernardo Boldrini, morto em 2014, após a madrasta Graciele Ugulini  ministrar uma dosagem de um remédio no menino. O pai, Leandro Boldrini, foi apontado como mentor do crime.

Infelizmente, são inúmeros os casos de violência explícita contra menores no Brasil. O banco de dados do Ministério da Saúde (Datasus) registra que das 350 mil vítimas de violência no país em 2019, 140 mil foram crianças e adolescentes de zero a 19 anos – destes, 35 mil foram crianças abaixo dos 04 anos de idade. Esses números tendem a aumentar devido à pandemia, que fez com que as crianças passassem mais tempo junto aos agressores.

É preciso estar atentos aos sinais. Especialistas relatam que menores que sofrem agressões apresentam sinais de comportamento que indicam maus tratos. Irritabilidade acentuada, perda de vontade de brincar, choro frequente, medo de algumas pessoas e dificuldade para dormir são alguns desses sinais. Não podemos permitir que nossas crianças sangrem. Se você testemunhar ou suspeitar que alguma criança está sendo vítima de violência ou negligência, denuncie através do Disque 100 ou do Disque 180 (para vítimas mulheres ou meninas). As ligações são gratuitas, o anonimato é garantido e a ação pode salvar vidas.